O menu além da navegação

Nada mais perigoso do que aquelas coisas que, de tão óbvias, ninguém mais pensa a respeito. E com os menus de navegação aconteceu isso. O próprio nome já tenta nos confundir: “menu de navegação”. Mas, apesar do papel fundamental que ele desempenha no nosso ir e vir na web, o menu têm funções muito mais sutis do que a simples navegação. Ele é, em si, a estrutura de um site, o resumo de seus conteúdos. O menu nos diz rapidamente, em um passar de olhos, se é naquele site que queremos estar ou não.

Imagine que você fez uma busca e caiu em um site que você não conhece, de nome estranho e com uma logomarca que não lhe diz nada. Olhando o menu, estão as opções “Política”, “Economia”, “Esporte”, “Cultura”. Você imediatamente associa o site a notícias on-line, mesmo desconhecendo qual é a editora, ou o jornal. Outro exemplo: continuando a sua pesquisa, abre-se na tela uma daquelas janelas-surpresa, com um logotipo escrito “Quentinhas”, e uma tela de login. Meio na dúvida se é outro site de notícias, você olha o menu com as opções “Mulheres”, “Homens”, “Casais”, “Fetiches”. Você imediatamente sabe se quer ver aquele site ou não…

Esses exemplos deixam clara a importância de se considerar a mensagem que o menu passa, mesmo quando o usuário não navega por meio dele. Se o menu diz ao usuário o que esperar do site, não podemos deixar que ele crie a expectativa errada. Não deixe no menu apenas a opção “Serviços”, quando você pode mostrar imediatamente o que a sua empresa tem a oferecer.

Labels
É essencial utilizar termos adequados nos menus. Se “escrever é cortar palavras”, fazer menus é para verdadeiros literatos. É necessário transmitir com precisão o assunto que o usuário encontrará ali dentro, que pode ser mais ou menos amplo. Também é preciso ser atraente como em uma chamada publicitária (afinal, nós queremos que o usuário navegue) mas com um quinto do espaço e dividindo o menu com outras dez “chamadinhas” dessas. Mas calma: para quem, como eu, não tem a pretensão de ser um Drummond, existem os testes de usabilidade e a análise de cliques no menu. Testando algumas opções ficará claro o melhor termo a ser utilizado.

Amplitude do Conteúdo
O usuário deve saber do que a sua empresa é capaz. Não deixe que ele passe pela home-page sem ter uma pincelada de tudo que você faz, mesmo que agora ele não esteja procurando por isso. É como no supermercado: o consumidor acaba se interessando por coisas que não estavam na lista. E se é algo que ele não quer mas de que já precisou algum dia, vai pensar: “Ora, quando eu precisar disso já sei onde tem.”

Profundidade do Conteúdo
Na hora de decidir que opções estarão presentes no menu, lembre-se que o usuário não sabe tanto da empresa quanto você. Voltando ao exemplo, não coloque apenas o link “Serviços”, se você pode colocar cada um deles. Se forem muitos, agrupe-os sob termos significativos em cada área. Se isso não for possível… bem, nem tudo é perfeito. Mas ao menos tenha consciência da importância da decisão, não a deixe passar despercebida.

Menus Abertos
Os menus dinâmicos (aqueles que você passa o mouse e abre sub-opções. Alguns chamam de menus hierárquicos) às vezes resolvem o problema de espaço na tela. Mas para que eles funcionem é preciso que a separação dos temas seja muito precisa. Em um menu aberto, com todas as opções visíveis, é fácil correr os olhos e localizar o que se deseja. Em menus dinâmicos ele precisar “procurar” a informação passando o mouse sobre cada uma das opções.

Além disso é mais fácil para o usuário memorizar itens do que caminhos. Com o menu aberto, isto é, com as opções diretamente disponíveis, o usuário memoriza um item, enquanto no menu dinâmico ele é obrigado a memorizar um caminho. Em visitas subseqüentes o internauta pode ter problemas para chegar na informação que já havia encontrado antes. Quantas vezes você já chamou um amigo para visitar um site e ficou repetindo: “Estava aqui… ah, não, acho que era por aqui. Onde é que ficava? Era um link chamado ‘Peça o seu’… “.

Estatísticas
É muito importante testar diversos termos para as opções de menu e diversas disposições de hierarquia e formato. As taxas de clique podem revelar soluções surpreendentemente simples ou inesperadas. Mas a análise deve ser criteriosa para evitar ser enganado pelos números. É importante ponderar os resultados, considerando que aspectos como tamanho de mercado influenciam o resultado. O número de cliques na opção “CDs” do seu shopping pode ser muito maior do que na opção “Equipamentos Hospitalares”, e no entanto uma análise da participação de mercado por nicho pode revelar que o seu grande forte são os equipamentos hospitalares!

Além disso uma baixa taxa de clique em uma opção de menu pode revelar problemas que vão além da usabilidade do site. Se a opção de menu que representa o core business da empresa tem uma baixa taxa de clique, será que o usuário não está vindo para o site com uma expectativa diferente sobre seus produtos e serviços? Será que o posicionamento da empresa está sendo comunicado de forma adequada? Será que a comunicação off-line não está sendo veiculada nos lugares errados, atraindo médicos quando deveria trazer administradores de hospitais? Aí o problema pode ser mais abrangente, e talvez deva ser discutido com o departamento de marketing e a agência de propaganda.

Certamente todos esses cuidados, e muitos outros, não resolverão todos os nossos problemas com relação aos menus. O trio arquiteto de informação-redator-designer estará sempre encurralado entre as limitações de espaço na tela (afinal há outros elementos a se apresentar além do menu) e foco no negócio do cliente (tente mostrar tudo, e você não mostrará nada). Mas isso sempre aconteceu em qualquer peça publicitária. O essencial é ter consciência das escolhas que estão sendo feitas a cada etapa do processo, e ter certeza de que essa é a escolha da empresa. Ter certeza de que aquele espacinho ali na esquerda, que somos obrigados a usar, está representando tudo que pode representar.

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